O raro otimismo na ficção científica - Star Trek e Instituto Hawkins

Atualizado: 10 de set.

“Espaço… a fronteira final… infinito… silencioso… à espera. Essa é a história da nave estelar Enterprise… sua missão… cinco anos de patrulhamento da galáxia… para buscar e fazer contato com vida alienígena… para explorar… viajar pela vasta galáxia onde nenhum homem jamais esteve… uma JORNADA NAS ESTRELAS.”
Esta é a icônica introdução da série clássica de Star Trek, duas gerações anteriores ao meu próprio nascimento e, mesmo assim, uma das minhas maiores inspirações para o livro Instituto Hawkins e as Anomalias do Tempo. Tive contato com o Capitão Kirk e sua tripulação através do meu avô. Sinceramente, quando era garoto, ainda achava os efeitos especiais cafonas para a época, afinal, estávamos prestes a ter a estreia de Star Wars: A Ameaça Fantasma nos cinemas. Ainda assim, havia muito espaço para a imaginação naquelas fitas de VHS. Hoje, trinta anos depois, ao rever as temporadas num surto nostálgico, percebo quanto a ideia se sobrepõe à técnica. Os episódios eram muito bem escritos!
Em 2022, lancei o meu primeiro livro: Instituto Hawkins. Num belíssimo evento na extinta Livraria Cultura do Conjunto Nacional da Avenida Paulista, em São Paulo. E como eu gostaria que meu avô estivesse lá comigo, com a certeza de que sua influência permanece viva no meu imaginário.
Apesar de não se tratar de uma ópera espacial, Instituto Hawkins é uma aventura de ficção científica que explora, com entusiasmo, diferentes eras pré-históricas, muito mais próxima de O Mundo Perdido, de Conan Doyle, do que de Star Trek. Mas o que torna Star Trek uma das principais inspirações para o livro? A resposta é simples e pode ser dada em apenas uma palavra: OTIMISMO!
A ficção científica costuma trazer futuros distópicos sobre a humanidade. Algo a que estamos bem acostumados! Orwell é o mais icônico deles, com 1984. E não é por menos! É fácil compreender por que a ficção científica tem tanta preocupação com o nosso futuro e está tão pessimista. Afinal, é difícil ter fé no futuro da espécie humana. Vivemos cercados por notícias de guerras, crises, desastres ambientais, conflitos políticos e previsões cada vez mais sombrias sobre o futuro. É muito fácil olhar para tudo isso e concluir que a humanidade está caminhando para um destino inevitavelmente ruim. Contudo, não é o caso de Star Trek. Na série, temos uma visão otimista e alegre sobre o futuro da humanidade, onde não há limites para a nossa capacidade técnica e intelectual, algo de que eu (Fernando) tenho sentido muita falta na ficção científica.
Apesar de existirem algumas alfinetadas sociais em Instituto Hawkins, no geral, ele é uma obra leve, otimista e dinâmica. Um livro para ler quando você quer descansar e curtir uma ótima aventura, cheia de personagens, intrigas e mistérios.

Lembro-me da preocupação que eu tinha sobre o público-alvo ao publicar o livro pela primeira vez. Como qualquer produto, a obra também precisava de um público-alvo. E, na época, defini como “jovem adulto”, o que realmente se concretizou, pois a maior parte dos meus leitores está entre 25 e 35 anos de idade. Porém, surpreendi-me com a quantidade de adolescentes e até mesmo crianças adquirindo o livro. Em alguns meses após o lançamento, levei meu livro e meus personagens para escolas para participar de clubes de leitura, mesas-redondas e apresentar palestras. Instituto Hawkins possuía um público muito mais amplo do que o esperado. E a resposta veio de um antigo professor meu: é um livro otimista.
Distopias têm o seu lugar em meu coração. Como gamer, joguei apaixonadamente toda a série Fallout e consumi todo tipo de mídia sobre o tema. Mas sinto que o público sente a falta de um otimismo mais inocente em relação ao futuro, de acreditar que um dia as coisas serão melhores. Instituto Hawkins carrega esse espírito e essa visão de mundo, transportando os meus leitores por páginas leves e repletas de descobertas, como se todos nós ainda estivéssemos a bordo da Enterprise com o Capitão Kirk, Spock e sua tripulação de aventureiros.
SINOPSE
O corpo de um homem Neandertal é encontrado em perfeitas condições perto da cidade de Roma. O paleoantropólogo Charles Capucci e a primatóloga Marjory Souza são convocados por Dr. Hawkins, um renomado paleontólogo inglês, para investigar o caso. Com os recursos do tecnológico e mundialmente conhecido Instituto Hawkins, a equipe terá que desvendar os mistérios por trás dos aparecimentos de diferentes animais pré-históricos pelo mundo. De dinossauros a insetos gigantes de 300.000.000 de anos. Juntos, os cientistas do Instituto terão que viver uma aventura que rompe os limites do espaço-tempo e evitar uma catástrofe ambiental.

Fernando Couto de Magalhães (@eufernandocouto) é escritor e artista brasileiro, autor de obras que navegam por diferentes gêneros, transitando pela ficção científica, fantasia e terror, sempre tendo a brasilidade como elemento principal de suas aventuras. É publicitário, com vasta experiência em marketing, com especialização nas humanidades: História, Filosofia e Sociologia, além de estudos complementares nas ciências humanas, que influenciaram diretamente a produção de seus livros. Estreou em 2022 com Instituto Hawkins e as Anomalias do Tempo, seguido por Grande Hotel Brasil em 2023 e Caiman - O Caminho das Águas Doces em 2026 (sua obra mais ambiciosa).
A curiosidade pelo desconhecido é um dos principais elementos que conecta suas narrativas, além de sempre estruturar-se em elementos da brasilidade, seus folclores e tradições populares. Paralelamente à literatura, desenvolve obras de arte com lápis grafite e carvão, tendo participado de exposições artísticas, incluindo o Brazilian Day Orlando.

Aventura de ficção científica que explora diferentes eras e criaturas pré-históricas em diferentes países.

Aventura de alta fantasia num universo próprio, inspirado no Brasil colonial e no folclore brasileiro.

Suspense e terror num paradisíaco hotel no nordeste brasileiro, repleto de mistérios e criaturas do folclore brasileiro.


Comentários