As ilustrações de Instituto Hawkins e as Anomalias do Tempo - Quem é o artista e como foram feitas?


O Instituto Hawkins e as Anomalias do Tempo é repleto de ilustrações digitais em preto e branco, e é sobre elas que quero falar nesse texto de blog. Algumas delas retratam um fóssil ou uma observação rápida rabiscada pelos cientistas, enquanto outras ilustram passagens importantes do livro com grande sensibilidade pelo artista e meu amigo André César.
A ideia de acrescentar esse tipo de ilustração no meu livro, surgiu durante um curso online que realizei em 2020, durante a pandemia: Tangible Things: Discovering History ThroughArtworks, Artifacts, Scientific Specimens, and the StuffAround You, um curso online da HarvardX, disponível pela EDX. Durante o curso aprendi o método de close looking de um entomologista chamado de Samuel Scudder e o uso do lápis para fazer observações científicas. O curso me foi tão impactante, que coloquei parte dele dentro do meu próprio livro.
"Em uma das aulas do seu mestrado, Marjory estudou a história de um entomologista americano chamado Samuel Scudder e o seu método pedagógico chamado close looking. Scudder havia aprendido o método em Harvard durante o século XIX, com um prodígio professor chamado Louiz Agassiz. A história conta que o jovem Samuel foi deixado no laboratório observando um peixe por horas. Em poucos minutos, ele acreditava que já tinha visto tudo o que podia. Entediado, o jovem pegou um lápis e começou a desenhar o peixe e os seus mínimos detalhes. Nesse momento, Agassiz retornou ao laboratório e mostrou para o jovem estudante que quanto mais observamos e estabelecemos conexões externas ao objeto, mais informações conseguimos retirar dele, e que o lápis é um excelente olho. Sempre há algo novo para ser observado." (Fernando Couto de Magalhães. Instituto Hawkins e as anomalias do tempo. São Paulo: Dialética, 2022.)
O Instituto Hawkins foi escrito em 2019, mas revisado e publicado apenas em 2022, o que me deu tempo para acrescentar a parte mais científica ao longo dos anos. Dentre esses detalhes, Marjory Souza, uma das protagonistas da aventura, tornou-se uma grande desenhista que ilustra em seu caderninho o que está acontecendo ao longo da história. Para poder representar isso, chamei o meu antigo amigo de faculdade, agência de publicidade e arte, André César.

Eu sou desenhista e ilustrador, mas a minha técnica não funcionaria no Instituto Hawkins, pois precisava de alguém hábil o suficiente para fazer sketches rápidos, como se a própria bióloga e primatóloga Marjory Souza estivesse rabiscando em seu caderno. Eu sou um retratista, que utiliza técnicas realistas que exigem dezenas de horas, o que funcionou bem em meus outros livros, Grande Hotel Brasil e Caiman - O Caminho das Águas Doces, mas eu não via sentido em usá-las no Instituto. Para isso, André, quem já compartilho uma longa história na arte, serviu como uma luva. Ilustrador e artista conceitual, ele trouxe cenários com muita vida e perspectivas que eu jamais conseguiria reproduzir no papel.
Para que conseguisse desenvolver as ilustrações, sendo fiel às passagens do livro, nós conversávamos sobre cada cena, além de apresentar os capítulos para que ele pudesse "enxergar" o mesmo que Marjory. O resultado foi além das minhas expectativas.

André não apenas ilustrava o animal que eu queria ilustrar no momento, ele criava toda uma composição com a vegetação ao seu redor. Como é o exemplo da ilustração abaixo, onde Erin Lagari e Dra. Yuriko Watanabe, representantes do Instituto Hawkins viajam para a China, onde se deparam com um portal para o Carbonífero, era pré-histórica até 300.000.000 de anos, no qual o planeta é, basicamente, uma paisagem pré-histórica. André pesquisou sobre a vegetação e os animais enquanto conversávamos e reproduziu esta arte, que é uma das minhas ilustrações preferidas do livro. Nela temos a fauna e a flora deste período, retratados com muita simplicidade e objetividade. E não é apenas um cenário, por si só, mas a reprodução exata do que escrevo nesse capítulo.
"Para chegar até o local, elas precisaram atravessar um trecho de água, um pequeno riacho com alguns metros de comprimento. A água era lamacenta e alcançava os seus joelhos. Com passos lentos e levantando bem a perna a cada movimento, elas começaram a cruzar o riacho. Os trajes de EPI mantinham elas completamente secas, mas não tiravam a péssima sensação de atravessar aquela água lamacenta num mundo cheio de insetos gigantes." (Fernando Couto de Magalhães. Instituto Hawkins e as anomalias do tempo. São Paulo: Dialética, 2022.)

O Instituto Hawkins e as Anomalias do tempo está na sua terceira edição, a ser publicada em maio de 2027 pela Editora Paulus. Em cada uma das edições, acrescentei novas ilustrações feitas pelo André César, entre elas, a arte abaixo que representa o salão principal do Instituto Hawkins. Me pergunto, como artista e desenhista, como André consegue reproduzir algo tão complexo e rico em detalhes de forma tão minimalista? O salão do Instituto Hawkins foi inspirado no salão de entrada do Metropolitam Museum of Arts em Nova Iorque, onde dois grandes saurópodes recebem os visitantes. Para o Instituto, desejei o mesmo. André, reproduziu isso com maestria!

As ilustrações foram fundamentais para dar vida ao Instituto Hawkins e aos cientistas. Pois elas não apenas ilustram o que está acontecendo na aventura, como fazem parte dela. São desenhos feitos pela Marjory Souza, em seu caderno de observações, o que conecta ainda mais o leitor com a personagem e com os mistérios da obra. E só tenho a agradecer ao meu amigo André César por permitir que o Instituto Hawkins se torne tão imersivo aos leitores.
Para conhecer o trabalho do André, acesse:
Instagram: https://www.instagram.com/andrecaezarart/
ArtStation: https://www.artstation.com/andrecaezar

Fernando Couto de Magalhães (@eufernandocouto) é escritor e artista brasileiro, autor de obras que navegam por diferentes gêneros, transitando pela ficção científica, fantasia e terror, sempre tendo a brasilidade como elemento principal de suas aventuras. É publicitário, com vasta experiência em marketing, com especialização nas humanidades: História, Filosofia e Sociologia, além de estudos complementares nas ciências humanas, que influenciaram diretamente a produção de seus livros. Estreou em 2022 com Instituto Hawkins e as Anomalias do Tempo, seguido por Grande Hotel Brasil em 2023 e Caiman - O Caminho das Águas Doces em 2026 (sua obra mais ambiciosa).
A curiosidade pelo desconhecido é um dos principais elementos que conecta suas narrativas, além de sempre estruturar-se em elementos da brasilidade, seus folclores e tradições populares. Paralelamente à literatura, desenvolve obras de arte com lápis grafite e carvão, tendo participado de exposições artísticas, incluindo o Brazilian Day Orlando.

Aventura de ficção científica que explora diferentes eras e criaturas pré-históricas em diferentes países.

Aventura de alta fantasia num universo próprio, inspirado no Brasil colonial e no folclore brasileiro.

Suspense e terror num paradisíaco hotel no nordeste brasileiro, repleto de mistérios e criaturas do folclore brasileiro.



Comentários