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Marcha do Progresso - A evolução humana completamente equivocada

Foto do escritor: Fernando Couto de Magalhães
Fernando Couto de Magalhães
6 de jan. de 2022
3 min de leitura

Atualizado: 10 de set.

Sempre que pensamos em evolução humana é comum imaginarmos a icônica ilustração popularmente conhecida como a Marcha do Progresso. A popularidade da imagem fez com que ela se tornasse um ícone da cultura pop através de sátiras, estampas de camisetas, artes publicitárias, entre outras possibilidades. Mas por que ela é equivocada? Como podemos representar a evolução humana de forma mais acurada?


A Marcha do Progresso
A Marcha do Progresso

O uso exacerbado da ilustração contribuiu para a criação de uma noção equivocada a respeito da evolução humana, ostentando a ideia de que a evolução é um progresso linear. Cada novo membro da espécie à direita acaba sendo compreendido como uma versão melhor da anterior, até alcançar o seu auge com o Homo sapiens. Outro conceito incorreto está na ideia de que o membro da esquerda é um descendente direto daquele à sua frente. Demonstrando preocupação sobre o entendimento de sua obra, o próprio autor da ilustração publicou em seu livro Wonderful Life em 1989 que a vida não é uma escada previsível para progresso.


Considerado um dos maiores paleoartistas do século XX, Rudolph Zallinger é conhecido por seus grandes painéis e pinturas representando a vida pré-histórica. Dois dos seus trabalhos mais distintos incluem o grande mural do Museu Peabody de História natural da Universidade de Yale, The Age of Reptiles, e o Road to Homo Sapiens, publicado originalmente na revista Early Man em 1965.


Apesar dos seis representantes que compõem a denominada marcha do progresso em sua versão simplificada, a ilustração original conta com quinze estágios representando respectivamente os pliopithecus, proconsul, dryopithecus, oreopithecus, ramapithecus, A. Africanus, A. Robustus, Advanced Australopithecus, Homo Erectus, Early Homo Sapiens, Solo Man, Rhodesian Man, Neanderthal Man, Cro-magnon Man e Modern Man (Homo sapiens moderno).


Ilustração sépia da evolução humana, com seis hominídeos em sequência e cronologia no topo; rótulos como Dryopithecus e Modern Man.
Ilustração original de Rudolph Zallinger

Infográfico vintage “The Road to Homo Sapiens” mostra a evolução humana em sequência, de primata a homem moderno, em fundo bege.
Versão estendida da ilustração de Zallinger

Apesar de equivocada, não é necessário retirar o prestígio da imagem. A marcha do progresso contribuiu para o firmamento da teoria da evolução na cultura pop por décadas. O conceito, que antes estava presente apenas nos laboratórios e universidades, foi popularizado e exportado na forma de uma simpática ilustração. No entanto, a pergunta que permanece é: qual é o modelo correto que representa a evolução humana?


É quase impossível representar a complexidade dos estágios da evolução humana com a acurácia perfeita. Contudo, muitos modelos são criados e revisados com frequência. Também é um consenso entre os estudiosos da área que a evolução humana não é linear, mas sim um arbusto que se ramifica em seus mais diversos galhos.


A ilustração a seguir, apesar de não parecer didática e simpática aos olhos quanto a marcha do progresso de Zallinger, representa a evolução humana de forma mais aproximada à realidade estudada. Por tudo que se sabe hoje, o seu ponto de partida está há sete milhões de anos com o Sahelanthropus tchadensis, o descendente humano mais próximo da separação da linhagem dos humanos com os chimpanzés. As barras de cor laranja ilustram o tempo no qual a espécie apontada sobreviveu antes de encontrar a sua extinção. Logo, a fins práticos de exemplo, pode-se observar que o Homo erectus foi a espécie humana de maior longevidade, atravessando quase dois milhões de anos.


Árvore evolutiva dos hominídeos, com espécies como Homo sapiens, Homo erectus e Australopithecus ao longo de 7 milhões de anos.
Figura 4: Árvore da evolução humana publicada por Steven Novella

Os modelos que representam a evolução humana são diversos e podem apresentar informações antagônicas quanto à ancestralidade de algumas das espécies. A complexidade dos estudos fósseis permite apenas, até o momento, desenvolver aproximações e especulações da história humana. No entanto, é através destes estudos que se preenche lentamente cada lacuna dos mistérios da evolução humana.



Fernando Couto de Magalhães lê um livro de capa laranja numa biblioteca aconchegante, com texto visível na capa.

Fernando Couto de Magalhães (@eufernandocouto) é escritor e artista brasileiro, autor de obras que navegam por diferentes gêneros, transitando pela ficção científica, fantasia e terror, sempre tendo a brasilidade como elemento principal de suas aventuras. É publicitário, com vasta experiência em marketing, com especialização nas humanidades: História, Filosofia e Sociologia, além de estudos complementares nas ciências humanas, que influenciaram diretamente a produção de seus livros. Estreou em 2022 com Instituto Hawkins e as Anomalias do Tempo, seguido por Grande Hotel Brasil em 2023 e Caiman - O Caminho das Águas Doces em 2026 (sua obra mais ambiciosa).

 

A curiosidade pelo desconhecido é um dos principais elementos que conecta suas narrativas, além de sempre estruturar-se em elementos da brasilidade, seus folclores e tradições populares. Paralelamente à literatura, desenvolve obras de arte com lápis grafite e carvão, tendo participado de exposições artísticas, incluindo o Brazilian Day Orlando.



Aventura de ficção científica que explora diferentes eras e criaturas pré-históricas em diferentes países.



Aventura de alta fantasia num universo próprio, inspirado no Brasil colonial e no folclore brasileiro.



Suspense e terror num paradisíaco hotel no nordeste brasileiro, repleto de mistérios e criaturas do folclore brasileiro.



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