Como sabemos como era o clima na pré-história humana e como ele influenciou a nossa evolução

Atualizado: 10 de set.
O texto a seguir é um pequeno trecho do meu artigo de pós-graduação entitulado: "A história da evolução humana e a sua relação com as mudanças climáticas no período de sete milhões de anos". A minha intensão é explicar, ou tentar explicar, de maneira acessível como a ciência consegue reconstruir as condições climáticas de um passado tão distante (milhões ou até bilhões de anos). Quando o assunto é pré-história, é comum parecer que é apenas uma questão de "acreditar que foi assim". No entanto, sabemos que a ciência não se baseia em crenças do passado ou suposições sem base, mas na interpretação de evidências que permanecem registradas no presente. Algumas delas, tão extraordinárias, que é difícil de imaginar como é possível. É a partir desses registros que podemos ter uma noção, por exemplo, de como era o clima do planeta milhões de anos atrás e de que maneira as suas mudanças podem ter influenciado a evolução humana.
Na paleoantropologia é comum associar fósseis ancestrais humanos ao clima, principalmente durante o período estratigráfico do Pleistoceno (2,5 milhões a 11,7 mil anos) e sua grande oscilação climática. Mas uma questão que fica em aberto, principalmente para os leigos, é como se sabe sobre essas mudanças climáticas tão distantes de nós? Um importante método está no estudo dos registros de isótopos estáveis de oxigênio em esqueletos microscópicos de foraminíferos que viviam no fundo do mar (popularmente associados à pequenas e elegantes conchas). “Essa medida pode ser usada como um indicador da mudança de temperatura e do gelo glacial ao longo do tempo” (SMITHSONIAN, 2021). Apesar de sua complexidade, esses registros podem oferecer importantes informações sobre o paleoclima.

Quando unimos esses dados climáticos aos conhecimentos da paleoantropologia, podemos compreender e especular sobre a influência do clima sobre a evolução humana. É nessa comparação que se percebe que grandes acontecimentos da história humana "coincidem" com grandes mudanças no clima. O gráfico a seguir, publicado em artigo no site Human Origins do Museu de História Natural Smithsonian (2021), associa as mudanças climáticas registradas pelos estudos citados acima com as principais características evolutivas humanas.

"A evolução do gênero Homo e das adaptações que tipificam o Homo sapiens estiveram associadas às maiores oscilações do clima global. Ícones: (a) origens hominíneas, (b) bipedalidade habitual, (c) fabricação da primeira ferramenta de pedra e consumo carne [...], (d) início de mobilidade de longa duração, (e) início de rápido aumento do cérebro, (f ) expansão da expressão simbólica, inovação e diversidade cultural. (SMITHSONIAN, 2021)"
O gráfico sintetiza o que será desenvolvido ao longo deste texto. A evolução humana esteve sempre conectada de forma íntima às mudanças climáticas. Os períodos de maior oscilação climática forneceram grandes desafios à sobrevivência humana que moldaram diversas características da espécie. Como é possível observar, da origem das espécies hominineas (a) ao bipedalismo (b), há um grande intervalo de tempo que corresponde a um período de certa estabilidade climática e um clima quente. A partir do período da pedra lascada (c), há queda na temperatura e o início de uma maior instabilidade do clima. Quanto maior a instabilidade, menor o intervalo entre as principais e mais significativas características evolutivas humanas. Ao final, entre o rápido aumento do cérebro (e) com o surgimento do pensamento simbólico e da cultura (f) a oscilação climática é ainda mais significativa. Estes estudos demonstram que os seres humanos não evoluíram a partir da especialização num único clima, mas pela capacidade de se adaptarem às grandes oscilações climáticas.
É evidente que a ciência é fruto da combinação de diversas pesquisas, de diversas áreas. Uma teoria normalmente é feita através da conexão com diferentes autores, pesquisas e conhecimentos não necessariamente da mesma área de estudo. Estudos da geologia, por exemplo, podem ter grande importância em trabalhos do campo da astronomia, da biologia e até mesmo da filosofia. É essa conexão de conhecimentos que torna a ciência ainda mais bonita!

Fernando Couto de Magalhães (@eufernandocouto) é escritor e artista brasileiro, autor de obras que navegam por diferentes gêneros, transitando pela ficção científica, fantasia e terror, sempre tendo a brasilidade como elemento principal de suas aventuras. É publicitário, com vasta experiência em marketing, com especialização nas humanidades: História, Filosofia e Sociologia, além de estudos complementares nas ciências humanas, que influenciaram diretamente a produção de seus livros. Estreou em 2022 com Instituto Hawkins e as Anomalias do Tempo, seguido por Grande Hotel Brasil em 2023 e Caiman - O Caminho das Águas Doces em 2026 (sua obra mais ambiciosa).
A curiosidade pelo desconhecido é um dos principais elementos que conecta suas narrativas, além de sempre estruturar-se em elementos da brasilidade, seus folclores e tradições populares. Paralelamente à literatura, desenvolve obras de arte com lápis grafite e carvão, tendo participado de exposições artísticas, incluindo o Brazilian Day Orlando.

Aventura de ficção científica que explora diferentes eras e criaturas pré-históricas em diferentes países.

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Suspense e terror num paradisíaco hotel no nordeste brasileiro, repleto de mistérios e criaturas do folclore brasileiro.




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