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Matinta Pereira - A bruxa-coruja. Folclore Brasileiro - CAIMAN WIKI

Matinta Pereira - A bruxa-coruja. Folclore Brasileiro - CAIMAN WIKI
Matinta Pereira - Interpretada por Leticia Spiller em Cidade Invisível - NETFLIX

Cuidado, a Matinta vai te pegar!


A Matinta Pereira é uma das figuras mais enigmáticas do folclore brasileiro, fortemente associada à região Norte, em especial à Amazônia. No imaginário popular, ela é conhecida por seu assobio longo, repetitivo e irritante, ouvido durante a noite e capaz de provocar medo, apreensão e irritação. Esse som é interpretado como um presságio de desgraça, azar, doença ou da aproximação de algo sobrenatural e assustador.


Durante o dia, a Matinta costuma assumir a forma de uma mulher idosa, aparentemente comum, muitas vezes solitária e marginalizada pela comunidade. É normalmente associada à figura de uma típica bruxa. À noite, transforma-se em um pássaro, ou coruja, e percorre vilas e matas anunciando sua presença pelo assobio característico. Em versões da lenda, ela bate às portas pedindo fumo, café ou comida, e quem atende ao pedido pode ser poupado de sua ira.


Matinta Pereira - A bruxa-coruja. Folclore Brasileiro - CAIMAN WIKI
Matinta Preira - Wikipedia Commons - Victor Maya

Origens e interpretações


As origens da Matinta Pereira são diversas e refletem a mistura de influências indígenas, africanas e europeias. Em algumas narrativas, ela é fruto de uma maldição herdada; em outras, de um pacto ou de um castigo espiritual por transgressões morais. A lenda também funciona como explicação simbólica para sons noturnos da floresta, casos de má sorte e doenças sem causa aparente, especialmente em comunidades ribeirinhas. Segundo estudiosos, Matinta Pereira pode ser uma variante do Saci-Pererê.


"No sul é Saci tapereré, no centro Caipora e no Norte Maty-taperê. O civilizado, que muitas vezes não entende a pronúncia do sertanejo, que é o mais perseguido por ele nas suas viagens, tem-lhe alterado o nome; já o fez Saci-pererê, Saperê, Sererê, Siriri, Matim-taperê, e até já lhe deu o nome português de Matinta Pereira, que mais tarde terá o sobrenome de da Silva ou da Mata." (Câmara Cascudo - 1898-1986)


Matinta Pereira - A bruxa-coruja. Folclore Brasileiro - CAIMAN WIKI
Coruja Rasga Mortalha - Arte por André Vazzios

Coruja rasga-mortalha


Uma das versões mais tradicionais da Matinta Pereira, a associa com a coruja rasga-mortalha. Uma ave profundamente associada ao imaginário fúnebre do folclore brasileiro, especialmente no Norte e no Nordeste. Seu nome popular vem do canto estridente e prolongado, interpretado como semelhante ao som de um pano sendo rasgado, a “mortalha”, tecido que envolve os mortos. Segundo a crença popular, ouvir o seu canto próximo às casas, sobretudo à noite, é um presságio de morte iminente, doença grave ou desgraça na família. Por esse motivo, a rasga-mortalha é vista como um mensageiro do além ou um aviso do mundo espiritual. Em algumas regiões, acredita-se que ela esteja ligada a almas penadas ou a entidades como a Matinta Pereira, reforçando sua presença como símbolo do limiar entre a vida e a morte no folclore brasileiro.



Matinta Pereira em Aruanã


Na saga de Caiman, Matinta Pereira é uma das Três Feiticeiras de Aruanã. Mulheres temidas e respeitadas pelo seu poder. A história de Matinta se passa na Cidade das Cores, ou Baía do Badejo, terra dos Capoeiras e cidade natal de Maia Cabeça-de-Ferro. Assim como no folclore original, a mulher atormenta os moradores com seu assovio constante e atordoante, até receber presentes em seu nome para que deixe as pessoas em paz. Tal ritual torna-se tão comum com o tempo, que Matinta Pereira sequer precisa assoviar, pois oferendas já são deixadas na frente das casas. Até mesmo as crianças adotam o ritual como algo tradicional entre as famílias, comparável à um Papai Noel. Um ser sobrenatural que as crianças admiram e temem ao mesmo tempo.


Matinta Pereira, ao atormentar um homem solitário chamado Benício, apaixona-se por ele, dando início à um romance que terminará em tragédia e surpresas para a trama da história. A população da Baía do Badejo reprova a união do casal e olhares tortos se tornam agressões verbais e até físicas. Benício é morto por uma pedra arremessada em sua cabeça, fazendo com que Matinta amaldiçoe a cidade de forma que ninguém mais lembrará dela ou de seu marido. A maldição é quebrada vinte anos após esses acontecimentos pela própria Caiman, que é imune à maldição de Matinta Pereira.


Classificação: Uma das três Feiticeiras de Aruanã


Feiticeiras ancestrais de poder incomensurável, cada uma ligada a um elemento natural essencial. Existem apenas três, e sua presença é rara e cercada de mistério. Não seguem conceitos humanos de bondade ou maldade: respondem conforme sua própria lógica. Podem oferecer auxílio a quem demonstra respeito ou destruir sem hesitar aqueles que violam seus domínios. São solitárias e vagam pelo continente há séculos, intocadas pelo tempo. Imortais, distantes e indiferentes às dinâmicas políticas dos reinos, elas são forças vivas da natureza, despertando temor e reverência em igual medida. Rumores apontam para uma quarta Feiticeira vinda do Reino de Cales, tão poderosa quanto as três primordiais (ou mais).


Caiman - O Caminho das Águas Doces - Fernando Couto de Magalhães

O universo de CAIMAN, criado por Fernando Couto de Magalhães, é completamente fictício. Apesar de beber de fontes históricas e referências culturais brasileiras, não há aqui a intenção de representar fielmente nenhum povo, tradição ou evento específico. É uma obra de entretenimento inspirada nas histórias contadas pelos avós do autor.


O folclore brasileiro é o eixo central do universo da Caiman, servindo como base para toda a fantasia que molda a narrativa dos livros. A proposta do autor, Fernando Couto de Magalhães, é fugir dos elementos fantasiosos europeus (dragões, elfos, orcs e etc) e valorizar o imaginário brasileiro de forma explícita, celebrando raízes, influências regionais e a riqueza das tradições orais do Brasil.

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