top of page
danúbio fernando couto de magalhães desenho realista.jpg

Semente de Jequitibá e a tradição Karajá

Foto do escritor: Fernando Couto de Magalhães
Fernando Couto de Magalhães
29 de jun. de 2020
3 min de leitura

Atualizado: 10 de set.


O desenho ao lado foi feito em papel Canson A3 com lápis Faber Castell 4B e 8B. Nele, eu retratei um indígena Karajá, ou Carajá, seguindo a referência de foto tirada em 1948 pelo meu tio-bisavô Agenor Couto de Magalhães em expedição etnográfica à Amazônia. Na imagem vemos o homem com um objeto na boca e distintas marcas culturais em sua pele. A relação entre objeto e indivíduo é muito forte e merece a devida atenção. O objeto é um cachimbo, feito com uma semente de Jequitibá, árvores de grande porte que podem alcançar até 40 metros de altura.


As marcas no rosto do indígena também são feitas com a semente, que aquecida a boca com carvão, gera uma cicatriz por queimadura nas bochechas dos homens e mulheres da tribo no formato de círculos paralelos - odemaluli.


Os cabelos também tem significativos culturais que precedem a cicatriz. Quando alcançam a idade de 8 a 10 anos, o cabelo é recortado na forma de uma coroa circular e de comprimento uniforme - chamado de Indjulá. Desse momento em diante, os rapazes deixam o cabelos crescer até alcançar os olhos na frente, e atrás, até alcançar os ombros. É então que os meninos são declarados adultos e recebem a tatuagem característica da tribo. As marcas da semente de Jequitibá.


"Para marcar assim o rosto de cada membro da tribo, de ambos os sexos, os pais aguardam que atinjam a puberdade, quando chamam então um adulto hábil e prático em realizar essas incisões. Usa-se o cachimbo vegetal (walioná, walikokó), do fruto do jequitibá, cuja boca está impregnada de carvão, servindo assim perfeitamente para assinalar os círculos. Feito isso, o operador emprega um estilete de ossso, lascas de pedra (manadjú, dente de pedra), fragmento de concha ou vidro, para dilacerar a carne, que é depois impregnada com o suco do jenipapo ainda verde. Uma vez cicatrizado o corte, a marca torna-se indelével."


"Maloá tem na boca o inseparável cachimbo - walikokó, pende-lhe do lábio inferior o adohó de madeira, muito leve e no pescoço ostenta o colar de missangas de várias voltas, enfeite muito apreciado por todos os índios." ENCANTOS DO OESTE 1944, pg 154


Também para furar o lábio inferior, de onde pende o botoque de madeira, denominado odohó, chamam os pais um especialista, que usa como furador um pedaço de osso de bugio (azõdí). O orifício é feito entre os 6 e 7 anos, somente em meninos. Os desenhos que vão das orelhas aos cantos da bôca, não são definitivos, constituindo simples embelezamento para recepção e festas, pintados com tinta do urucum e do jenipapo." ENCANTOS DO OESTE pg 155.



Os Karajá são populações que vivem nas margens do rio Araguaia, abrangendo os estados de Goiás, Tocantins e Mato Grosso.


"Sistematicamente banida de nossa investigação artística, a cultura mais autêntica e viva da região recolheu-se para os arquivos etnográficos. O que era para ser esteio, viga mestra e estrada luminosa tornou-se curiosidade e folclore para especialistas. Poucos foram os que vislumbraram esse universo." Amazônia Indígena de Márcio Souza, capítulo 2: O impacto colonial na Amazônia. Pg 83.



Fernando Couto de Magalhães lê um livro de capa laranja numa biblioteca aconchegante, com texto visível na capa.

Fernando Couto de Magalhães (@eufernandocouto) é escritor e artista brasileiro, autor de obras que navegam por diferentes gêneros, transitando pela ficção científica, fantasia e terror, sempre tendo a brasilidade como elemento principal de suas aventuras. É publicitário, com vasta experiência em marketing, com especialização nas humanidades: História, Filosofia e Sociologia, além de estudos complementares nas ciências humanas, que influenciaram diretamente a produção de seus livros. Estreou em 2022 com Instituto Hawkins e as Anomalias do Tempo, seguido por Grande Hotel Brasil em 2023 e Caiman - O Caminho das Águas Doces em 2026 (sua obra mais ambiciosa).

 

A curiosidade pelo desconhecido é um dos principais elementos que conecta suas narrativas, além de sempre estruturar-se em elementos da brasilidade, seus folclores e tradições populares. Paralelamente à literatura, desenvolve obras de arte com lápis grafite e carvão, tendo participado de exposições artísticas, incluindo o Brazilian Day Orlando.



Aventura de ficção científica que explora diferentes eras e criaturas pré-históricas em diferentes países.



Aventura de alta fantasia num universo próprio, inspirado no Brasil colonial e no folclore brasileiro.



Suspense e terror num paradisíaco hotel no nordeste brasileiro, repleto de mistérios e criaturas do folclore brasileiro.



2 comentários


Pedro Lisboa
Pedro Lisboa
11 de out. de 2025

Bom dia Fernando. Sou pesquisador do Museu Goeldi estou escrevendo um livro sobre o tabaco na Amazônia. Gostaria de saber duas coisas. Se as fotos mais abaixo, meio amareladas são autênticas? 2. Gostaria de usar uma delas no livro logicamente dando os créditos so seu pai, voce e o site. Agradeço antecipadamente qualquer contribuição que você possa dar!

Curtir
Fernando Couto de Magalhães
Fernando Couto de Magalhães
03 de dez. de 2025
Respondendo a

Pedro, será um prazer conversar com você. Fique a vontade para entrar em contato pelo e-mail: fernandocoutopp@gmail.c

Editado
Curtir

© 2026 by Fernando Couto de Magalhães

bottom of page