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Brevíssima história das pirâmides de Gizé

Foto do escritor: Fernando Couto de Magalhães
Fernando Couto de Magalhães
21 de nov. de 2019
4 min de leitura

Atualizado: 10 de set.

Para entender o que foram as pirâmides de Gizé e a dimensão desses monumentos, temos que compreender primeiro a divisão histórica do Egito Antigo. A história é dividida em três períodos. Antigo Império, Médio Império e Novo Império, com períodos de transição entre eles. Esses impérios são subdivididos em dinastias marcadas pela família dominante e pela localização geográfica da sede do governo.


Vista aérea das pirâmides de Gizé no deserto, com sombras longas e a cidade ao fundo sob luz dourada.

O platô de Gizé (local das pirâmides) é, sem dúvida, um dos lugares mais emblemáticos e enigmáticos da história egípcia e da história da humanidade. A construção das pirâmides e do cemitério real marcou a história do Antigo Império (período de 2649-2150 a.C.). É através das "listas de reis", como a Pedra de Palermo e inscrições em tumbas e santuários, conseguimos entender esse período de quase 5000 anos de distância de nós.


Fragmento de pedra com inscrições hieroglíficas em branco e cinza, isolado sobre fundo preto, aspecto antigo e solene.

A pedra de Palermo é o artefato documental mais antigo do tipo e nos oferece uma lista em ordem cronológica dos governantes dos primórdios do Antigo Império até a 5ª dinastia, além de informações sobre rituais da realeza e outros eventos históricos.


Já a maior fonte de informação sobre esse período, vem do estudo das tumbas reais, desde inscrições autobiográficas aos estatuários. As tumbas oferecem não só informações sobre rituais funerários, ideologias e crenças, mas também sobre o estilo de vida da elite, as relações com o rei e eventos históricos.


Pirâmides do Egito em deserto árido sob céu azul, com turistas e camelos ao longe.

Compreendemos que o território das pirâmides é o local ideal para os monumentos, uma vez que a região fica próxima à capital do Antigo Império Mênfis e pelo local ser uma fonte natural de calcário. Elas foram construídas durante a 4ª dinastia assim como o seu cemitério real.


Grande pirâmide de pedra no deserto, sob céu azul com nuvens, em cenário silencioso e monumental.

A pirâmide vermelha é o local de descanso do faraó Sneferu e foi a primeira tentativa de construir uma pirâmide perfeita. Outras pirâmides já tinham sido erguidas, mas sem a precisão da pirâmide de Sneferu. No entanto, é o seu filho Khufu quem inicia a construção de Gizé há mais de 20 km de distância e estabelece o cemitério real à volta. Já Khafre, filho de Khufu, tentou emular os grandes feitos do pai e construiu uma pirâmide para si. Apesar de parecer mais alta do que a do pai, ela foi apenas construída numa plataforma maior e é três metros mais baixa do que a pirâmide de Khufu. Menkaure, filho de Khafre e seu sucessor, construiu a última e menor das pirâmides. Após esse governante, Giza foi abandonada.


Pirâmides de Menkaure, Khafre e Khufu no deserto, sob céu claro, com os nomes sobre cada pirâmide.

Uma das características mais marcantes das pirâmides, era o seu revestimento de calcário branco e liso. Diferente da estrutura que conhecemos hoje, quando ela ainda estava intacta, era praticamente impossível de subir nela devido à sua superfície perfeitamente lisa. A foto abaixo mostra uma parte da pirâmide no qual o calcário ainda está intacto. Portanto é só imaginarmos a pirâmide inteira coberta dessa forma.


Ruínas antigas de pirâmide com rampa de pedra e alguns turistas ao longe sob céu azul.

Depois de abandonada, após muito tempo, alguns faraós do Novo Império retornaram a Gizé. Ao lado da Esfinge, que pertence ao Antigo Império, há um pequeno templo posicionado diagonalmente à esfinge (veja a imagem abaixo). O templo pertence à Amenhotep II, da 18ª dinastia. Dentro do templo, há inscrições que contam como Amenhotep II andava por Gizé de carroça e como ele claramente idolatrava aquele lugar antigo e abandonado.


Vista aérea de ruínas egípcias com estátua monumental; seta vermelha aponta para uma pequena estrutura no deserto.

O seu filho também compartilhava dessa idolatria por Giza. Entre as patas da esfinge há inscrições chamadas de Estela dos Sonhos de Tutmósis IV. Ele conta que em um dia, passeando por Giza, ele parou para tirar um cochilo. A esfinge então apareceu em seus sonhos e pediu para que o homem a desenterrasse da areia (uma vez que a esfinge estava enterrada). Se ele o fizesse, seria nomeado faraó. As inscrições foram feitas num bloco de granito retirado da pirâmide de Khafre.


Estátua da Esfinge em pedra sob céu azul, com cabeça de faraó e estela frontal em um cenário árido.

Quando pensamos no Egito, pensamos num único e constante império sem levar em consideração os milênios de distância de um faraó para outro. Como é o caso de Amenhotep II do Novo Império admirando as construções de Guizé de mais de mil anos no passado (dele). Da mesma forma que Cleópatra (30 a.C.) está 1300 anos de distância de Nefertiti (1300 a.C). Não é a toa que a egiptologia é um tema tão complexo e completamente vulnerável à fantasiosas teorias da conspiração. O Egito é uma civilização que atravessa milênios e continua nos surpreendendo com seus mistérios e belezas.



Fernando Couto de Magalhães lê um livro de capa laranja numa biblioteca aconchegante, com texto visível na capa.

Fernando Couto de Magalhães (@eufernandocouto) é escritor e artista brasileiro, autor de obras que navegam por diferentes gêneros, transitando pela ficção científica, fantasia e terror, sempre tendo a brasilidade como elemento principal de suas aventuras. É publicitário, com vasta experiência em marketing, com especialização nas humanidades: História, Filosofia e Sociologia, além de estudos complementares nas ciências humanas, que influenciaram diretamente a produção de seus livros. Estreou em 2022 com Instituto Hawkins e as Anomalias do Tempo, seguido por Grande Hotel Brasil em 2023 e Caiman - O Caminho das Águas Doces em 2026 (sua obra mais ambiciosa).

 

A curiosidade pelo desconhecido é um dos principais elementos que conecta suas narrativas, além de sempre estruturar-se em elementos da brasilidade, seus folclores e tradições populares. Paralelamente à literatura, desenvolve obras de arte com lápis grafite e carvão, tendo participado de exposições artísticas, incluindo o Brazilian Day Orlando.


Capa de livro bege com esqueletos de dinossauros; título Instituto Hawkins e As anomalias do tempo, por Fernando Couto de Magalhães.

Aventura de ficção científica que explora diferentes eras e criaturas pré-históricas em diferentes países.


Capa de livro com mulher de chapéu, mochila e faixa vermelha no rosto; pétalas vermelhas e texto CAIMAN.

Aventura de alta fantasia num universo próprio, inspirado no Brasil colonial e no folclore brasileiro.


Capa de hotel tropical com palmeiras, silhueta na entrada iluminada e texto Grande Hotel Brasil.

Suspense e terror num paradisíaco hotel no nordeste brasileiro, repleto de mistérios e criaturas do folclore brasileiro.



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